Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Editorial do Acção Socialista

Energia PS
O tema do mais recente debate parlamentar com a presença do primeiro-ministro foi escolhido pelo governo. A escolha, desta vez recaiu sobre a energia.
A energia está no centro da vida de um pais e mesmo da evolução humana, independentemente do tipo de análise que se faça. Como imaginar uma sociedade moderna, em que se comunica, se transportam pessoas e bens, se preparam alimentos, e se aprende, sem energia? Parece-me uma tarefa impossível, por maior que seja a criatividade.

Todavia, as evidentes alterações climáticas no nosso planeta demonstram-nos que a utilização das energias tradicionais, poluentes e emissoras de CO2 e de outros gases com efeito estufa, sobre as quais se desenvolveu no século XX uma sociedade globalizada, têm os dias contados sob pena de condenarmos o planeta e a espécie humana. O tema, que na opinião de Tony Blair é “a questão mais importante que enfrentamos enquanto comunidade global” está claramente no topo da agenda mundial.

Mas, se não chegassem as questões ambientais, acrescem a estas, as questões geoestratégicas que, em muito condicionam, uma política de segurança de abastecimento. As regiões do globo mais ricas em petróleo (como a Venezuela, a Rússia, o Iraque, a Arábia Saudita, a Nigéria e mais recentemente o Irão) são também as regiões com maiores problemas de instabilidade política e social.

O aumento da procura de combustíveis fosseis, muito por força do emergir económico da China e da Índia, e também de alguma retoma da economia mundial, levou nos últimos anos o preço e o consumo de petróleo a valores extraordinários, batendo sucessivamente os records de preços absolutos. Entre 2001 e 2006, o fuel subiu mais de 160%. O petróleo, que ainda em Julho de 2007 estava a 77 dólares, ronda hoje cerca de 110 dólares.

È neste cenário que o PS chega ao Governo em 2005. Cerca de 85 % da energia que Portugal consome é adquirida ao estrangeiro e as energias renováveis, de que Portugal tem grande potencial para produzir – transformam-se num verdadeiro desígnio na acção do governo PS.

Já em 2007, mais de 40% da electricidade consumida em Portugal teve origem em fontes renováveis. A meta de 39% estabelecida pela União Europeia para 2010 está ultrapassada com 3 anos de antecedência.

Portugal já tinha sido, em 2006, o país da Europa que mais cresceu no aumento do potencial eólico. No aproveitamento da força dos rios, área em que Portugal tinha desinvestido nas últimas décadas, o lançamento de 10 barragens, é agora uma acção decisiva para que um dos países da UE com maior potencial hídrico por explorar e simultaneamente maior dependência energética do exterior, aumente a sua capacidade de produzir energia e de simultaneamente a armazenar (a agua guardada nas albufeiras é um autentico reservatório de energia).

Mas se a produção de energia não se fica por estas apostas – elas também existem nos biocombustiveis, na biomassa, nas ondas do mar, no solar ou na microgeração – há a registar que ao nível da eficiência energética as apostas são igualmente ambiciosas.
Todos reconheceremos que em Portugal o desperdício de energia é enorme. O Plano de eficiência energética, recentemente colocado em discussão pública, pelo governo do PS, assume como objectivo a redução de consumos em 10% até 2015. E este facto é tão mais importante quanto a meta europeia é de 8% e de que Portugal é um pais em que, tradicionalmente, o aumento do consumo de energia tem sido superior ao do crescimento da economia, com excepção, precisamente, de 2007.

Boas noticias para a economia. Excelentes noticias para o futuro.

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